Veja um vídeo sobre este livro. O vídeo foi disponibilizado pela editora americana.
Enquanto não temos o nosso vídeo, delicie-se com este.
ONDA
de Suzy Lee
ISBN 972-972-8920-57-9 14,70 Eruos (C/ IVA incuído)
Apenas com estes três elementos,
Suzy Lee criou este belíssimo livro
em que as imagens puxam pelas palavras.
E o texto surge espontaneamente
na cabeça de cada leitor.
Um dia cheio de sol.
Uma menina curiosa.
Uma onda brincalhona.
Tudo tão simples, tudo tão belo!
A ONDA, em 2008, recebeu o Prémio do New York Times para o Melhor Livro Ilustrado para Crianças e a Medalha de Ouro da Sociedade dos Ilustradores Americanos.
Selecionado entre os melhores livros ilustrados para crianças de 2008 pelo The New York Times, e com mais de 100 mil exemplares vendidos pelo mundo, Onda finalmente deságua em Portugal.
Na história, uma menina encontra o mar (talvez pela primeira vez ou talvez não). O que esta experiência guarda de tão especial? Para a autora, a sul-coreana Suzy Lee, a descoberta do «prazer universal» de se divertir à beira-mar suscita uma série de sensações, recriadas em imagens. Suzy Lee trabalha delicadamente um azul intenso, capaz de dar fluência à leitura deste livro sem palavras em que até mesmo a divisão das páginas serve de recurso para conduzir a narrativa.
Espreitem o que a autora nos diz nesta entrevista:
Entrevista concedida a Livia Deorsola e publicada na página da Editora brasileira Cosac Naify
O que a levou a contar uma história sem palavras sobre a descoberta do mar por uma menina?
Sempre que visito o mar, em qualquer lugar do mundo, vejo adultos e crianças a divertirem-se enquanto brincam com as ondas, sem distinção entre eles. Sempre tive o desejo de fazer um livro sobre este prazer universal, e quis mostrar tal encantamento através de imagens poderosas, que dizem mais que palavras.
No decorrer da história, as gaivotas são fiéis companheiras e vivenciam de perto cada movimento da menina. Em que medida esses personagens ajudaram a compor o cenário que você imaginou?
Ao considerar Onda como um livro-imagem, precisei de uma espécie de ajudante para mostrar a variação das emoções vivenciadas pela garotinha. As gaivotas funcionam como um coro grego, ou um insight, um resumo das informações para ajudar o leitor a seguir a performance, o que seria análogo a uma peça grega. As aves são, portanto, um extra, mas elas fazem a história ser mais divertida porque celebram a camaradagem.

A divisão física do livro destaca dois planos narrativos: de um lado da página, a segurança da terra firme; de outro, o mar e seus mistérios. Como chegou a esta solução?
Duas páginas distintas representam também mundos de realidades e fantasias diferentes. Quando a menina cruza a divisão do livro, ela é absorvida para o centro físico do objeto e então emerge dele como uma Alice quando sai do espelho (em Alice no país das maravilhas). A dobra entre as duas páginas do livro é um dos temas que me interessam. Além disso, Onda é um tipo de sequência do meu livro anterior, Espelho [Edizioni Coraini, 2003; este livro irá ser publicado pela GATAfunho e estará em Portugal no final do próximo mês de Setembro de 2009], no qual abordei o mesmo assunto: nele, a menina encontra a sua amiga refletida na página dupla.
As cores também são indicadoras da mudança de momentos narrativos – justamente após o “banho” inesperado que a menina leva da onda, o azul inunda a outra página e imprime o seu tom celeste inclusive no seu vestido. Poderia comentar esta opção de trabalhar com poucas e intensas cores?
Apenas com um tom de azul, além do cinza e do branco, acredito que os leitores podem entender que a história de Onda acontece num dia claro e ensolarado de praia, de um azul vibrante. Não acredito que uma imagem realista precise de muitas “cores realistas”. A cena real está dentro da mente dos leitores, e o uso de poucas cores pode fazer com que a sua memória seja reavivada.
Em Onda você utilizou carvão. Com quais técnicas costuma trabalhar? Poderia comentar um poucosobre seus recursos e preferências como artista plástica?
O material artístico que escolho segue o tema. O que será desenhado define qual material vou usar. Para Onda, precisava de algo com que eu pudesse expressar a dinâmica de movimentos da menina. Eu adoro usar carvão porque ele oferece duas qualidades contrárias – linhas volumosas e acentuadas, além de firmes e dinâmicas.
Onda ainda ilustra as diversas etapas da relação que se estabelece, aos poucos, com o mar: curiosidade, desconfiança, enfrentamento, desapontamento, susto, desdém, contentamento, confiança. Essas foram sensações que influenciaram o seu trabalho?
Todas estas percepções são aspectos dos quais precisamos para seguir adiante na conquista de um amigo. Aqui, a menina experimenta e diverte-se a cada passo, sem hesitação ou medo. Por esta razão ela se diverte completamente e obtém uma recompensa: a amizade com a natureza.

Como foi sua primeira experiência com o mar? Recorreu a lembranças de sua infância para criar Onda? Costuma frequentar a praia (alguma em particular)?
Eu cresci numa cidade longe do oceano, mas no Verão costumava ir para Manlipo, na costa oeste da Coreia do Sul, onde ficava a casa de verão dos meus avós. Quando criança, eu gotava muito de brincar à beira-mar até ficar totalmente exausta. Como essas lembranças tão bonitas e vivas! Acredito que qualquer um que já esteve em uma praia se entretém com o livro.
O primeiro encontro com o mar parece ser uma experiência em que estão em jogo enfrentar e superar o medo do desconhecido. O que é que isso representa para si?
Qualquer coisa se pode tornar muito interessante quando não é totalmente revelado, quando guarda um mistério, porque assim podemos dar asas à bossa imaginação. A curiosidade é a chave para se chegar a alguma resposta – crianças curiosas são exatamente as mais corajosas, porque querem descobrir a verdade da vida.
***
A GATAfunho deixa-vos este livro extraordinário... Satisfaçam a vossa curiosidade.

